{"id":6855,"date":"2022-11-24T12:48:16","date_gmt":"2022-11-24T15:48:16","guid":{"rendered":"https:\/\/loie.com.ar\/?p=6855"},"modified":"2022-11-24T12:48:18","modified_gmt":"2022-11-24T15:48:18","slug":"por-uma-dramaturgia-dos-corposimagem-em-movimento-na-danca-digital-agradecamos-a-loie-fuller","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/loie.com.ar\/en\/loie-11-2\/investigacion-2\/por-uma-dramaturgia-dos-corposimagem-em-movimento-na-danca-digital-agradecamos-a-loie-fuller\/","title":{"rendered":"Por uma dramaturgia dos CorposImagem em movimento na Dan\u00e7a Digital: agrade\u00e7amos a Lo\u00efe Fuller"},"content":{"rendered":"<p>Apontamos, neste artigo, um conjunto de pressupostos de nossas investiga\u00e7\u00f5es, apresentadas em diversos eventos como o Congresso Internacional de Intermidialidade (2015) e ARTECH (2019, 2021), e estamos interessadas em dar continuidade \u00e0s ideias levantadas sobre os constituintes de uma nova dramaturgia, a dramaturgia dos CorposImagem em movimento na Dan\u00e7a Digital.<\/p>\n<p>Ao campo expandido da Dan\u00e7a com as tecnologias digitais, n\u00f3s do El\u00e9trico &#8211; Grupo de Pesquisa em Ciberdan\u00e7a, nomeamos, desde 2015, como Dan\u00e7a Digital, atualizando assim o conceito de mediadance (Schiller, 2003 e Bastos, 2013 e 2015). Assumimos o termo Dan\u00e7a Digital como a nomenclatura que nos possibilita ampliar a concep\u00e7\u00e3o inicial sobre Dan\u00e7a e nos aproximar da atual condi\u00e7\u00e3o junto \u00e0s tecnologias digitais, o que ainda se apresenta como uma fase recente para esta arte. Entretanto, n\u00e3o deixamos de desconsiderar que outros termos tamb\u00e9m foram cunhados para compreender os processos que resultaram nos h\u00edbridos entre dan\u00e7a e tecnologia.<\/p>\n<p>Partimos do entendimento que a <em>techn\u00e9<\/em> tanto se aplica \u00e0s diversas t\u00e9cnicas de dan\u00e7a que o corpo comporta, como ao fazer coreogr\u00e1fico, j\u00e1 que os core\u00f3grafos se utilizam de um conjunto de regras e procedimentos com a finalidade de produzir algo espec\u00edfico, essencialmente de criar dan\u00e7as.<\/p>\n<p>O corpo, este complexo e hierarquizado sistema, n\u00e3o pode ser dissociado da Dan\u00e7a, se considerarmos que, contemporaneamente, as novas tecnologias t\u00eam redimensionado a t\u00e9cnica da dan\u00e7a e o conceito do corpo que dan\u00e7a, criando novas configura\u00e7\u00f5es, conceitua\u00e7\u00f5es e simbologias. O corpo \u00e9 invadido, ampliado, redimensionado e atravessado pela tecnologia.<\/p>\n<p>Da mesma forma, apenas conceituar Dan\u00e7a como <em>techn\u00e9<\/em> j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 suficiente. Definir Dan\u00e7a implica em considerarmos o contexto hist\u00f3rico e cultural em que ela esteja inserida, revelar \u00f3ticas particulares, descrever uma arte simb\u00f3lica, espec\u00edfica. Em toda a historiografia da Dan\u00e7a, alguns core\u00f3grafos, criadores e fil\u00f3sofos desta linguagem tentaram elaborar defini\u00e7\u00f5es, embasados em suas pr\u00f3prias experi\u00eancias e seus pr\u00f3prios olhares.<\/p>\n<p>Precisamente, registramos aqui que se trata de um equ\u00edvoco conceitual definir a Dan\u00e7a como essencialmente a linguagem do movimento, numa vis\u00e3o reducionista e n\u00e3o compreendendo que, cada vez mais, a Dan\u00e7a extrapola seus dom\u00ednios territoriais j\u00e1 assegurados para alcan\u00e7ar novos territ\u00f3rios e, principalmente, nos interessa debru\u00e7armos sobre os dom\u00ednios digitais do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Nos s\u00e9culos XX e XXI, \u00e9 evidente a rela\u00e7\u00e3o de afinidade que a Dan\u00e7a e o Corpo possuem com a imagem e com o uso de novos suportes art\u00edsticos, medi\u00e1ticos e comunicacionais para se constituir. Suportes estes que v\u00e3o se atualizando conforme a inven\u00e7\u00e3o de novos protocolos de tecnologia digital.<\/p>\n<p>No campo da dan\u00e7a, o termo <em>mediadance<\/em>, cunhado por Gretchen Schiller (2003) e revisitado por Dorotea Bastos (2013), representa uma categoria ainda recente na hist\u00f3ria da dan\u00e7a e da tecnologia e \u00e9 nosso ponto de partida para o nosso conceito de Dan\u00e7a Digital. Segundo Schiller, a <em>mediadance<\/em> diz respeito aos trabalhos de dan\u00e7a e tecnologia, artes interativas ou cinedan\u00e7a, o que dialoga com os estudos da vision\u00e1ria Allegra Snyder (1967), sobre dan\u00e7a e cinema.<\/p>\n<p>Cabe ressaltar o car\u00e1ter h\u00edbrido desse tipo de produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, em que as fronteiras entre diferentes formatos e possibilidades s\u00e3o t\u00eanues ou totalmente emba\u00e7adas, o que corresponde, tamb\u00e9m, a um pensamento contempor\u00e2neo sobre a produ\u00e7\u00e3o em Dan\u00e7a no campo da Arte Digital, apresentando uma Dan\u00e7a que descobre na tecnologia um caminho para novas experi\u00eancias est\u00e9ticas e po\u00e9ticas, na Contemporaneidade. Neste \u00e2mbito, a hibrida\u00e7\u00e3o \u00e9 o destino do corpo: \u201cum resultado tanto das exig\u00eancias da cria\u00e7\u00e3o coreogr\u00e1fica, como da elabora\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o\u201d (Louppe, 2000).<\/p>\n<div style=\"max-width: 730px\"><a href=\"https:\/\/loie.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/mirror.bmp\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"has-caption wp-image-6869 size-full has-caption-early has-caption-early has-caption-early\" src=\"https:\/\/loie.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/mirror.bmp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/loie.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/mirror.bmp 720w, https:\/\/loie.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/mirror-600x400.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">\u00abF\u00fcller Mirror Loocking\u00bb (2011) de Ana Carolina Frinhani<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ideia de expans\u00e3o nas artes encontra seus primeiros aportes te\u00f3ricos com Gene Youngblood e Rosalind Kauss, ambos na d\u00e9cada de 1970. Youngblood (1970) teria sido um dos primeiros a fazer refer\u00eancia ao pensamento convergente, ideia presente em seu livro <em>Expanded Cinema<\/em>, em que analisa a amplia\u00e7\u00e3o do campo cinematogr\u00e1fico a partir da introdu\u00e7\u00e3o de novas tecnologias, o que promove, ao mesmo tempo, uma expans\u00e3o da consci\u00eancia.Correlacionado a esse entendimento, encontra-se o conceito de campo expandido, proposto por Rosalind Krauss. A formula\u00e7\u00e3o desse conceito surge a partir do seu artigo \u201cSculpture in theExpanded Field\u201d, de 1979, no qual a autora sugere uma nova abordagem a respeito da escultura \u2013 reflex\u00e3o que pode ser ampliada para as artes em geral, entendendo o campo expandido como uma amplia\u00e7\u00e3o das possibilidades da arte a partir da introdu\u00e7\u00e3o de novas tecnologias. Apesar de escultura e dan\u00e7a serem diferentes linguagens art\u00edsticas, a proposta de Krauss pode extrapolar os terrenos iniciais e ser aplicada \u00e0 dan\u00e7a, uma adapta\u00e7\u00e3o realizada por Dorotea Bastos (2013), ultrapassando a concep\u00e7\u00e3o tradicional da dan\u00e7a, cujo conceito, percorrendo diferentes est\u00e1gios, foi modificado e ampliado, resultando no que propomos posteriormente como Dan\u00e7a Digital.<\/p>\n<p>Para entendermos como esta expans\u00e3o chega \u00e0 Dan\u00e7a Digital, \u00e9 necess\u00e1rio ultrapassar a concep\u00e7\u00e3o inicial da Dan\u00e7a, tradicionalmente vista como uma representa\u00e7\u00e3o (exemplos mais comuns podem ser encontrados nos repert\u00f3rios do bal\u00e9 cl\u00e1ssico, nos quais os bailarinos representam os personagens das hist\u00f3rias: camponeses, princesas, animais, entre outros), e era considerado Dan\u00e7a, tudo aquilo que fazia parte da l\u00f3gica do movimento (Bastos, 2013).<\/p>\n<p>Ressalta-se que o processo de expans\u00e3o ou amplia\u00e7\u00e3o de uma categoria n\u00e3o exclui as formas anteriores, ou seja, a Dan\u00e7a Digital \u00e9 uma forma de dan\u00e7a que atualiza a pr\u00f3pria Dan\u00e7a em quest\u00e3o, aumentando o alcance e diminuindo as demarca\u00e7\u00f5es que limitam a categoria.<\/p>\n<p>Com o campo expandido aplicado \u00e0 dan\u00e7a, h\u00e1 o surgimento de novas possibilidades l\u00f3gicas e novos territ\u00f3rios a partir do encontro e da complexifica\u00e7\u00e3o dos elementos que formam o esquema. Bastos (2013) prop\u00f5e que a adapta\u00e7\u00e3o do campo expandido a partir de Krauss permite suspender a categoria da Dan\u00e7a e tem a inten\u00e7\u00e3o de desestabilizar o que est\u00e1 posto, a fim de se descobrir novos terrenos poss\u00edveis de ocupa\u00e7\u00e3o, sendo \u2013 assim como o fora com Krauss \u2013 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o pol\u00edtica para a Dan\u00e7a.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, esta atualiza\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria de conceitos, tratando a Dan\u00e7a Digital como campo expandido da Dan\u00e7a, \u00e9 uma proposta de novos olhares e novos territ\u00f3rios para uma pr\u00e1tica que, al\u00e9m de complexificar a pr\u00f3pria dan\u00e7a, reconfigura o campo de atua\u00e7\u00e3o e promove uma amplia\u00e7\u00e3o de possibilidades nesse espa\u00e7o entre a dan\u00e7a e as tecnologias.<\/p>\n<p><strong>O corpoimagem e sua dramaturgia<\/strong><\/p>\n<p>Ao conhecermos o conceito de imagem-movimento de Deleuze (2004), consideramos sua aplicabilidade no campo da Dan\u00e7a, por um argumento bem evidente, pois a Dan\u00e7a em sua especificidade e com a amplia\u00e7\u00e3o do seu conceito, \u00e9 a Arte dos Corpos, e mais precisamente o que gostar\u00edamos de defender aqui \u00e9 que ela seja compreendida como a Arte dos <em>corposimagem<\/em> em movimento. Assim que, aproveitamos do conceito de Deleuze e estamos situando o corpo que dan\u00e7a nesse contexto contempor\u00e2neo, no qual as imagens reinam como absolutas, e nos auxiliam a construir nossas narrativas di\u00e1rias e cotidianas, substancialmente dando terreno para a elabora\u00e7\u00e3o de narrativas que abra\u00e7am o ser\/estar na Contemporaneidade. Para construir seus enunciados, Deleuze, em seu livro <em>Imagem-Movimento<\/em>, em 1983, se apropria das teses desenvolvidas em <em>Mati\u00e8re et M\u00e9moire<\/em> de Henri Bergson (2004), sendo que o mais interessante em Deleuze para as nossas pesquisas \u00e9 o conceito de imagem-movimento aplicado no campo do Cinema, para nos apropriarmos dele e contextualizarmos o mesmo no campo da Dan\u00e7a.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, interessam alguns apontamentos de Deleuze (2004), a partir de Bergson, que afirma que o espa\u00e7o percorrido \u00e9 passado e o movimento \u00e9 presente, sendo que o espa\u00e7o percorrido \u00e9 poss\u00edvel de ser dividido. J\u00e1 o movimento em si \u00e9 indivis\u00edvel, ou pelo menos n\u00e3o se divide sem mudar de natureza a cada divis\u00e3o acontecida. Tamb\u00e9m importante nessa tese \u00e9 saber que n\u00e3o se pode reconstituir o movimento atrav\u00e9s de posi\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o, ou de instantes no tempo. Logo, temos uma defini\u00e7\u00e3o de movimento que nos interessa: por mais infinitamente que se tente aproximar dois instantes, ou duas posi\u00e7\u00f5es, o movimento se far\u00e1 sempre num intervalo entre os dois, logo, \u00e0s nossas costas, tendo sua pr\u00f3pria dura\u00e7\u00e3o qualitativa.<\/p>\n<div style=\"max-width: 323px\"><a href=\"https:\/\/loie.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/img-0056.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"has-caption wp-image-6877 has-caption-early has-caption-early has-caption-early\" src=\"https:\/\/loie.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/img-0056-800x1200.jpg\" alt=\"\" width=\"313\" height=\"469\" srcset=\"https:\/\/loie.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/img-0056-800x1200.jpg 800w, https:\/\/loie.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/img-0056-600x900.jpg 600w, https:\/\/loie.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/img-0056-533x800.jpg 533w, https:\/\/loie.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/img-0056-768x1152.jpg 768w, https:\/\/loie.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/img-0056-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/loie.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/img-0056.jpg 1267w\" sizes=\"auto, (max-width: 313px) 100vw, 313px\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">\u00abExu Ionan\u00bb (2018) de Ana Carolina Frinhani<\/p>\n<\/div>\n<p>Assim,afirmamos que a Dan\u00e7a se constitui nesse intervalo entre dois momentos, entre dois instantes, surgindo justamente nos intervalos de espa\u00e7o que percorre, constituindo-se a Coreografia numa arte da grafia do movimento no espa\u00e7o entre momentos.<\/p>\n<p>O est\u00e1gio do corpoimagem na Dan\u00e7a refere-se a um contexto atualizado no qual as imagens s\u00e3o evidenciadas, substancialmente, dando terreno para a elabora\u00e7\u00e3o de narrativas que abra\u00e7am o ser\/estar na Contemporaneidade e que em \u00faltima inst\u00e2ncia nos auxiliam a construir essa dramaturgia, que em sentido amplo, diz respeito \u00e0 \u201ct\u00e9cnica (ou a po\u00e9tica) da arte dram\u00e1tica, que procura estabelecer os princ\u00edpios de constru\u00e7\u00e3o da obra\u201d (Pavis, 2005).<\/p>\n<p>Segundo Jos\u00e9 S\u00e1nchez (2002), \u00e9 poss\u00edvel constatar que a dramaturgia, como um modelo de representa\u00e7\u00e3o, perdeu sua validade quando, a partir do s\u00e9culo XIX, novas propostas surgiram por estudiosos e artistas da vanguarda, ganhando outros contornos a partir de pesquisas como as do dramaturgo alem\u00e3o Bertold Brecht, que, no s\u00e9culo XX, desenvolve o conceito de teatro \u00e9pico, que ampliou o pr\u00f3prio conceito de dramaturgia. Essas novas propostas sugerem novos modelos, em que as fronteiras entre espa\u00e7o, cena e elementos visuais n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o delimitadas como, a princ\u00edpio, propunha-se. Trata-se, assim, de um processo de expans\u00e3o, tamb\u00e9m, da pr\u00f3pria ideia de dramaturgia que, segundo nosso ponto de vista, e no \u00e2mbito da Dan\u00e7a Digital, refere-se \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de novas rela\u00e7\u00f5es de sentido entre os corposimagem e o movimento.<\/p>\n<p>Consideramos que, desde quando os nossos antepassados pr\u00e9-hist\u00f3ricos desenhavam a imagem dos seus corpos dan\u00e7ando nas paredes da caverna, j\u00e1 t\u00ednhamos ali a evid\u00eancia dos corposimagem da Dan\u00e7a, e, ao longo da historiografia dos corpos que dan\u00e7am, podemos registrar que esses corpos sempre se utilizaram de recursos tecnol\u00f3gicos para constituir suas dramaturgias como ilumina\u00e7\u00e3o, cenografia, figurino, sonoplastia, para criar a visualidade para a cena coreogr\u00e1fica. Ou seja, a Dan\u00e7a sempre se configurou atrav\u00e9s dos seus in\u00fameros corposimagem, quer seja ocupando teatros italianos, teatros de arena, pra\u00e7as p\u00fablicas, quer seja mais recentemente ocupando nossos computadores, smartphones e nos sites de compartilhamento de conte\u00fados imag\u00e9ticos, como <em>Instagram<\/em> e <em>Facebook<\/em>, ou atrav\u00e9s de videodan\u00e7as, instala\u00e7\u00f5es interativas e outras formas de express\u00e3o; e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, podemos evidenciar que essas atualiza\u00e7\u00f5es de contexto e de tecnologias cotidianas tamb\u00e9m implicam em gestar uma nova dramaturgia, a dramaturgia do corpoimagem.<\/p>\n<p>A dramaturgia do corpoimagem \u00e9 uma forma de virtualiza\u00e7\u00e3o (L\u00e9vy, 1996) da dramaturgia tradicional, uma vez que cria novas possibilidades de atualiza\u00e7\u00e3o desse conceito, bem como se utiliza de novos componentes t\u00e9cnicos para tornar essa arte uma arte essencialmente visual, imag\u00e9tica, na qual o p\u00fablico se torna usu\u00e1rio, assiste mas sobretudo interage com a forma c\u00eanica, o que nos faz refletir sobre como o uso desses novos aparatos est\u00e3o conseguindo fazer com que outros sentidos sejam convidados para a experi\u00eancia est\u00e9tica da Dan\u00e7a.<\/p>\n<p>Afirmamos que a Dan\u00e7a tradicionalmente foi confeccionada para ser vista e propomos atualiz\u00e1-la como uma arte visual, a arte dos corposimagem em movimento. Nessa linha de coer\u00eancia, podemos considerar, contemporaneamente, o movimento como um componente visual da Dan\u00e7a, talvez o principal, mas n\u00e3o o \u00fanico: a luz, os cen\u00e1rios, os pr\u00f3prios corpos que dan\u00e7am, as proje\u00e7\u00f5es do v\u00eddeo e tantas outras possibilidades s\u00e3o tamb\u00e9m elementos visuais da dan\u00e7a e contribuem para uma dramaturgia espec\u00edfica que, em nossa proposta, se reconfigura com e no corpo, transformando o movimento da Dan\u00e7a em corpoimagem em movimento.<\/p>\n<p>J\u00e1 quanto \u00e0 tecnologia digital dispon\u00edvel para a constru\u00e7\u00e3o do corpoimagem em movimento, podemos refletir que a fun\u00e7\u00e3o de um core\u00f3grafo se mant\u00e9m na ess\u00eancia de buscar construir suas pr\u00f3prias po\u00e9ticas e linguagens coreogr\u00e1ficas, mas o que o distingue nesse momento contempor\u00e2neo s\u00e3o as ferramentas dispon\u00edveis que usam para constituir suas coreografias e compor suas narrativas.<\/p>\n<p>Essa rela\u00e7\u00e3o acontece no e com o corpo que, entre-imagens, se torna presente em pot\u00eancia nos diversos ambientes virtuais, o qual desconhece as limita\u00e7\u00f5es do corpo org\u00e2nico, proporcionando uma nova forma de experienciar a Dan\u00e7a, reinventando e multiplicando possibilidades de cria\u00e7\u00e3o e frui\u00e7\u00e3o art\u00edsticas entre os dispositivos t\u00e9cnicos e o corpo. Esta acep\u00e7\u00e3o dialoga com a ideia de dramaturgia da imagina\u00e7\u00e3o, de Jos\u00e9 Sanchez (2007), o que aqui consideramos uma atualiza\u00e7\u00e3o ao conceito de dramaturgia da imagem proposto pelo pr\u00f3prio autor. Ao abordar a imagina\u00e7\u00e3o, Sanchez explora o ato teatral e expande a concep\u00e7\u00e3o de dramaturgia para al\u00e9m da perspectiva meramente tecnicista, englobando crit\u00e9rios de subjetividade e cria\u00e7\u00e3o a partir das experi\u00eancias, que se consuma numa tradu\u00e7\u00e3o de pr\u00e1tica art\u00edstica, inclusive, a partir de corpos intang\u00edveis e com o que o autor denomina de gera\u00e7\u00e3o de temporalidades alternativas.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, este conceito de dramaturgia da imagina\u00e7\u00e3o remete \u00e0 ideia de cinema expandido de Youngblood (1970), j\u00e1 apresentado neste artigo, por se referir a um processo de passagem a uma consci\u00eancia expandida e n\u00e3o apenas uma amplia\u00e7\u00e3o de ordem t\u00e9cnica, o que tamb\u00e9m acontece com a Dan\u00e7a do corpoimagem, que se constitui por proporcionar uma experi\u00eancia que ultrapassa a efemeridade f\u00edsica e limitante, oferecendo uma experi\u00eancia de expans\u00e3o de nossas consci\u00eancias.<\/p>\n<div style=\"max-width: 307px\"><a href=\"https:\/\/loie.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/dsc-0126.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"has-caption wp-image-6874 has-caption-early has-caption-early has-caption-early\" src=\"https:\/\/loie.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/dsc-0126-800x1200.jpg\" alt=\"\" width=\"297\" height=\"445\" srcset=\"https:\/\/loie.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/dsc-0126-800x1200.jpg 800w, https:\/\/loie.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/dsc-0126-600x900.jpg 600w, https:\/\/loie.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/dsc-0126-533x800.jpg 533w, https:\/\/loie.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/dsc-0126-768x1152.jpg 768w, https:\/\/loie.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/dsc-0126-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/loie.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/dsc-0126.jpg 1267w\" sizes=\"auto, (max-width: 297px) 100vw, 297px\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">\u00abVirtual Dance F\u00fcller\u00bb (2010) de Ana Carolina Frinhani<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Vamos estabelecer assim que, desde seu fundamento inicial, a Dan\u00e7a se constitui como uma cena visual, seja registrando-a nas paredes das cavernas, seja em sua continuidade nas nota\u00e7\u00f5es coreogr\u00e1ficas, seja na sua execu\u00e7\u00e3o c\u00eanica em diferentes tipos de teatros, nos trabalhos da pioneiras Lo\u00efe Fuller e Maya Deren, ou em suas possibilidades de configura\u00e7\u00e3o digital; mas essa cena visual n\u00e3o \u00e9 meramente um novo aparato tecnol\u00f3gico digital e sim uma tecnologia de expans\u00e3o de nossas consci\u00eancias; n\u00e3o \u00e9 meramente um novo fazer com novas ferramentas digitais, e sim um novo devir de nossas consci\u00eancias ampliadas incessantemente, diariamente, cotidianamente.Propomos que esse novo est\u00e1gio da dramaturgia do corpoimagem em movimento seja uma dramaturgia da imagina\u00e7\u00e3o como Sanchez nos oferece, e que a cada experi\u00eancia est\u00e9tica da Dan\u00e7a se acrescente uma nova camada com a qual possamos expandir nossas consci\u00eancias de ser-estar no mundo contempor\u00e2neo. Essa nova dramaturgia, segundo Bastos (2015),tamb\u00e9m se constitui essencialmente como uma dramaturgia da a\u00e7\u00e3o que, considerando a\u00e7\u00e3o como fator que impulsiona a m\u00e1quina do drama, tudo aquilo que muda a situa\u00e7\u00e3o, produzindo, portanto, movimento\u201d (Pallottini, 1989), uma dramaturgia que se constitui em narrativas a partir dos corposimagem em movimento e que se configuram como unidades de composi\u00e7\u00e3o dramat\u00fargica, o que nos leva ao \u00faltimo est\u00e1gio da amplia\u00e7\u00e3o de nossas consci\u00eancias. Se a Dan\u00e7a mant\u00e9m sua natureza e especificidade e se hibridiza contemporaneamente com o digital, com o ciberespa\u00e7o das tecnologias digitais, na Dan\u00e7a Digital, a dramaturgia se apresenta no processo de expans\u00e3o entre as dan\u00e7as e as tecnologias que, para al\u00e9m da mera execu\u00e7\u00e3o tecnicista, apresenta aspectos relacionados \u00e0 est\u00e9tica e \u00e0s po\u00e9ticas, gerando e sendo resultado de rela\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em a tessitura da cena a partir dos corposimagem em movimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Bastos, D. (2013). Mediadance: campo expandido entre a dan\u00e7a e as tecnologias digitais. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado, Universidade Federal de Salvador, Salvador, BA, Brasil.<\/p>\n<p>Bastos, D. (2015). Dramaturgia expandida: processo de significa\u00e7\u00e3o das imagens em movimento. Anais do 1\u00ba Congresso Internacional de Intermidialidade 2014. BlucherArtsProceedings, v.1 n.1. S\u00e3o Paulo:Blucher.<\/p>\n<p>Bergson, H. (2004). Mati\u00e8re et M\u00e9moire. Puf, Paris, Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Deleuze, G. (2004). Cinema I &#8211; a Imagem-Movimento. Ass\u00edrio &amp; Alvim: Lisboa.<\/p>\n<p>Krauss, R. (1979). Sculpture in the Expanded Field, 8, 30-44.<\/p>\n<p>L\u00e9vy, P. (1996). O que \u00e9 o virtual? Editora 34.<\/p>\n<p>Louppe, L. (2000). Corpos h\u00edbridos. In Pereira, R., &amp; Soter, S. (Org.). Li\u00e7\u00f5es de Dan\u00e7a 2. Rio de Janeiro: Editora UniverCidade..<\/p>\n<p>Pallottini, R. (1989). Dramaturgia \u2013 A constru\u00e7\u00e3o do personagem. S\u00e3o Paulo: Editora \u00c1tica.<\/p>\n<p>Pavis, P. (2005). Dicion\u00e1rio de teatro. S\u00e3o Paulo: Perspectiva.<\/p>\n<p>Pimentel, L. C. M. (2008). El cuerpo h\u00edbrido en la danza: transformaciones en el lenguaje coreogr\u00e1fico a partir de las tecnologias digitales. An\u00e1lisis te\u00f3rico y propuestas experimentales. Tese de Doutorado. Universidade Polit\u00e9cnica de Valencia, Espanha.<\/p>\n<p>Pimentel, L., &amp; Bittencourt, A. (2019) The ImageBody of (Digital) Dance: First Steps For Dancing with Deleuze. Proceedings ARTECH 2019. Braga, Portugal.<\/p>\n<p>S\u00e1nchez, J (2007). De las dramaturgias de la imagen a las dramaturgias de la imaginaci\u00f3n. Quaderns de l\u2019Institut de Teatre, Barcelona l\u2019Institut de Teatre, n. 32.<\/p>\n<p>S\u00e1nchez, J. (2002). Dramaturgias de laimagen (3\u00aa edi\u00e7\u00e3o). Cuenca: Ediciones de la Universidad de Castilla-La Mancha.<\/p>\n<p>Schiller, G. (2003). The Kinesfield: a study of movement-based interactive and choreographic art. Tese de Doutorado, University of Plymouth, Plymouth, England.<\/p>\n<p>Snyder, A. F. (1967). Untitled Article on the filmic approach to dance. Dance Perspective, 30, 48-51.<\/p>\n<p>Youngblood, G. (1970). Expanded cinema. New York: E. P. Dutton &amp; Co, Inc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Imagen principal: \u00abLa Loie\u00bb (2010) de Ana Carolina Frinhani<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apontamos, neste artigo, um conjunto de pressupostos de nossas investiga\u00e7\u00f5es,  &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6864,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[132],"tags":[],"class_list":["post-6855","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-investigacion-2","ediciones-loie-11-2","autores-ludmila-m-pimentel","autores-dorotea-s-bastos"],"acf":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/loie.com.ar\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6855","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/loie.com.ar\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/loie.com.ar\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/loie.com.ar\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/loie.com.ar\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6855"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/loie.com.ar\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6855\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6980,"href":"https:\/\/loie.com.ar\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6855\/revisions\/6980"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/loie.com.ar\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6864"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/loie.com.ar\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6855"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/loie.com.ar\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6855"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/loie.com.ar\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6855"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}